Estive escrevendo hoje um Memorial de Leitura, a pedido de minha mãe, para mais um dos seus cursos. Breve CV: Pedagoga, Especialista em Educação de Jovens e Adolescentes, Coordenadora Pedagógica do Estado, aposentada pela Secretaria de Educação da Prefeitura, 61 anos.
Ela: – Filho preciso de sua ajudar para redigir e digitar um Memorial, você sabe que não sou muito boa com computadores e tenho prazo curso para entregar. Além disto não tenho muitas lembranças de livros que li…
(Interessante foi que comecei a fazer meu próprio memorial e descobri que devo ter lido nos meus 37 anos algo em torno de 30-35 livros e achei um absurdo. O que eu fiz esses anos todos??? Claro que não estou contando os livros técnicos, etc)
Voltando, achei um pouco estranho o comentário e fui buscar o rascunho para corrigir o texto, digitar e formatar o trabalho. QUE SORPRESA MARAVILHOSA! Um texto perfeito!
Quando comecei a ler percebi que estava entrando na vida e no passado de minha mãe, que começou relatando sobre a influência dos seus pais, da escola e etc…
A cada linha era uma nova descoberta, que me orgulhava e emocionava. Vi o imenso trabalho que ela realizou e realiza em prol da educação deste país, seus projetos de alfabetização quanto estava na Secretaria de Educação Municipal, sua dedicação aos estudos e quando lecionava formando outros professores. Foi uma satisfação incomensurável, quase não me contive de orgulho.
Não entendi onde estava seu receio em escrever o Memorial, achando que não tinha lido muito?? Como assim MÃE?! E Emília Ferreira, Telma Wez, Magda Soares, Piaget, Vigosky e todos os outros que você nem lembra!!!
Não vou aqui falar dos meandros da Educação deste país, NÃO VOU. Este momento é só MEU…e agora de vocês é claro..rss
Para finalizar ela fez uma homenagem a meu pai e citou o seu poema preferido… e nosso também que agora compartilho com vocês amigos, o trecho do memorial e a poesia:
“Não posso deixar de registrar meu interesse pelas poesias, despertado a partir do momento que li os poemas que meu esposo escrevia. Citarei aqui um dos seus preferidos:
MEU UMBUZEIRO por Raymundo Viana
Da inquieta infância, companheiro,
Solidário, como melhor amigo,
Os doces frutos, a sombra, o ombro,
Assim te conheci, Meu Umbuzeiro!
Nas orvalhadas manhãs, feliz roteiro,
Dos sonolentos, descalços e apressados,
Na disputa dos galhos carregados,
Dos frutos mais maduros, Meu Umbuzeiro!
Inda me lembro amigo,
Se primeiro chegasse, os doces frutos apanhava,
E no tronco aconchegante me sentava,
Saboreando as delícias, Meu Umbuzeiro!
Eu envelhecido, tu ainda altaneiro,
A acolher-me na sombra refrescante,
Revivo as lembranças e em um instante,
Choro de saudades, Meu Umbuzeiro!
Emociono-me todas as vezes que leio esta poesia, não só pela beleza, rima e métrica em seus versos, mas principalmente pela sensibilidade com que o autor relembra sua infância e, diga-se de passagem, que o arvoredo ainda existe na sua cidade natal, Iraquara-Ba, onde viveu cada segundo retratado nos versos. Esta poesia é apenas uma de muitas outras que fazem parte do livro “Pedaços de Mim”, que escreveu antes que viera a falecer.”
E hoje (05/Dez) é uma data especial…Beijo a todos!!
